Se você nunca quebrou em alguma prova prepare-se, sua hora vai chegar!

Todo corredor amador certamente já vivenciou a situação de “quebrar” durante uma prova que pode ser uma queda repentina de ritmo. É uma dolorida constatação de que sua prova já era, quando resta apenas a dignidade de terminar e depois colher os cacos e verificar o que aconteceu!
Quebrar em qualquer prova é sempre frustrante, mas na maratona o gosto amargo na linha de chegada costuma ser um pouco mais forte, mesmo que depois passe. Além dos meses de preparação e esforço, maratona não se faz a cada final de semana (pelo menos não para a maioria dos corredores). Ver o tempo alvo escapar do alcance no meio da competição, e ainda ser forçado a trotar ou até caminhar os quilômetros finais, não é uma tarefa fácil! Quem nunca né?

Para evitar este tipo de situação, é importante compreender o que nos leva a “quebrar”, para então não repetir os mesmos erros.
Segundo um treinador,  “o que quebra não é o volume, é a intensidade. Isso fica claro quando vemos atletas acima do peso completando uma prova, mas em ótimo estado físico e um semblante excelente. Esse tipo de atleta sabe que a distância não será o problema, desde que ele se mantenha na intensidade adequada. Trata-se de um atleta muito mais realista do que otimista”. Alguns atletas se incomodam muito em ver sua média de velocidade caindo ou ver alguém o ultrapassando. A dura e crua verdade é que as provas longas são totalmente individuais, e o que interessa mesmo é o seu ritmo. Portanto, no primeiro vacilo que você der, pronto, chegou seu dia!!!

Você também já deve ter ouvido algum amigo que quebrou dando suas explicações.  As desculpas são inúmeras: ou é uma lesão inesperada, ou deu uma cãimbra horrorosa, ou “senti o quadril”, ou deu piriri,  parei para tirar fotos, etc. Jamais, em hipótese alguma, o dito-cujo assume que treinou errado ou não usou a estratégia certa na prova.

Mas vamos as prováveis causas:

FALTA DE TREINO. Não vou nem mencionar a questão da falta de treino, pois o pressuposto é que o atleta esteja treinado para fazer a prova desejada. A quantidade de treino necessária para que um corredor seja considerado apto para completar os 42 km é bem relativo e depende da experiência em provas de cada um, mas pensando-se somente em completar a prova, apontam os números que um corredor deveria ter um volume ideal de treino na casa de 55-60 km semanais. Portanto, corredores com menos volume do que isso estão na zona de alta probabilidade de “quebrar” durante a prova, independente do ritmo em que tentem correr, simplesmente porque seu corpo não está adaptado para a carga que lhe será imposta ao longo dos 42 km e dos famigerados 195 metros.

FALTA DE ENERGIA. A recomendação padrão é maximizar os estoques de glicogênio muscular, com direito a período de polimento (período de treinos mais leves nos dias que antecedem uma prova), jantar de massas na noite anterior e intensa suplementação de carboidratos simples (30-60 g por hora) durante a prova. Mas é obvio que a alimentação em si não é o determinante exclusivo da “quebra”. Em outras palavras, não adianta transformar o organismo em uma máquina de consumir massa, arroz e batata na semana antes da maratona e não fazer a suplementação necessária durante o evento. Fato: vai faltar combustível!!!!

FALTA DE RITMO. Se o corredor está bem treinado, se está bem alimentado, por que então ele quebra? Será que simplesmente não foi feito para correr os 42 km? Para alguns poucos este pode realmente ser o problema. Conheço alguns que ainda insistem no assunto…Para os corredores bem treinados e alimentados, a quebra com frequência se dá por falta de um ritmo adequado durante a prova.

FALTA DE AUTOCONHECIMENTO . Conhecer seus limites é extremamente útil para saber quando “aliviar o pé” ou quando enfiar a sola no fundo. Bons corredores evoluem gradualmente e têm parcimônia para atingir grandes resultados. Não queime etapas. Corredores que insistem em queimar etapas,  inevitavelmente quebram na segunda metade da maratona. Não porque tenha faltado treino no sentido amplo da palavra, mas porque estão tentando competir em um ritmo para o qual não estão treinados: corredores acreditam que algum milagre os fará correr melhor do que poderiam esperar, baseados em seus treinos e provas recentes.
Segundo os especialistas, este milagre muitas vezes está relacionado a duas coisas: em primeiro lugar, o atleta tende a sentir-se muito bem no dia da prova, parte pelo momento do ciclo de treino e parte pela adrenalina do dia da maratona e a multidão ao redor; em segundo, o próprio medo da quebra às vezes faz com que o corredor resolva ganhar alguns segundos no início dos 42 km.
A combinação destes dois fatores costuma resultar em uma primeira meia muito rápida. Considerando que a pessoa acaba de correr tão próximo de sua melhor meia-maratona, é natural que consiga correr alguns poucos quilômetros a mais e depois acabe por encontrar o muro ou “urso” dos quilômetros finais. As cãibras e desconfortos musculares nada mais são do que o reflexo de um corredor que correu seus melhores 30 km e quer continuar indo em frente por mais 12. Ou seja, não é possível.
É no treinamento que você e seu técnico conheceram os limites do seu corpo e é no treino que o atleta deve ARRISCAR, não na prova. Uma melhora de desempenho não vem de um milagre no dia de prova, mas de treinos melhores dia após dia. Portanto,  a prova perfeita não existe. Todos os atletas têm problema, todos sofrem contratempos, em qualquer distância!!

Evoque o mantra “eu posso, eu consigo”.  A maneira de pensar é que faz toda a diferença nos treinos e nas provas. Lembre-se que tudo está na mente. Correr bem também é uma questão muito mais mental do que física, pois não é facil segurar o ritmo para não empolgar e quebrar. É preciso treino, sim, porém quem te faz chegar lá e cruzar a linha de chegada chorando e rindo ao mesmo tempo é essa superação pessoal, e essa tem um gostinho todo especial. A grande batalha é com você mesmo do inicio ao fim!!!

Ótimos treinos!!!

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