Quando devemos aposentar o tênis de corrida?

Você já se perguntou quanto tempo dura um tênis de corrida??? Eu já. Como a maioria destes produtos para corrida custa mais de R$300,00, é compreensível que se dê grande importância a sua durabilidade.

Afinal, quando devemos aposentar nossos fiéis tênis de corrida, e o que pode acontecer se não o fizermos? Apesar de todo o discurso na mídia, ninguém realmente sabe. E com tantas variáveis – tipo de tênis, peso do corredor, superfície de corrida, estilo de passada – talvez nunca tenhamos uma resposta simples.

Fazendo buscas pela  internet de algo que pudesse me ajudar a responder minha pergunta, de unanimidade, o que vi nos portais sobre o assunto é que a média de vida de um tênis de corrida é de 500 km. Mas baseado em quê???

Não existem testes comprobatórios realizados por nenhum órgão, entidade ou marca esportiva que definam a durabilidade exata de um tênis de corrida. Não é apenas controlando os quilômetros rodados em uma corrida de rua que se chega a um número real de durabilidade X quilômetros. Artigos cientificos como o publicado no  The American Journal of Sports Medicine,  simularam  diferentes modelos de tênis e sua capacidade de absorção de impactos, e concluíram que entre 400 e 800Km de uso do tênis, há uma diminuição de 60% da capacidade de absorção dos impactos. Por consequência, o corpo é que absorve este impacto que o tênis não segura.

Quando nos preparamos para uma corrida, ou seja, a partir do momento que calçamos o tênis, caminhamos pela casa, ou caminhamos até o local de treino… a distância já deve ser computada se quisermos fazer uma medição exata. Isso sem contar que frequentemente usamos os mesmo tênis de treino para ir a academia, a padaria, viajar e etc.  Por esses hábitos comuns, podemos concluir que todo esse uso influencia no desgaste, na durabilidade e até mesmo nos quilômetros rodados.

Alguns outros importantes fatores devem ser levados em conta: o biótipo de cada corredor (principalmente no que se refere a peso corporal), tipo de pisada, volume de treinos (quantas vezes por semana o tênis é utilizado para correr) , tipo de terreno (asfalto, grama ou esteira) e conservação do calçado.
Outra questão fundamental é o tipo de material usado no tênis de corrida. Cada marca esportiva utiliza uma tecnologia de amortecimento diferente – algumas empresas têm alto poder de investimento em desenvolvimento de novas tecnologias (principalmente na composição de entressolas), já outras marcas não investem muito em novos projetos, e utilizam materiais mais convencionais para conseguir um produto de baixo custo e menos durável.

Diante desses dados, perguntei ao  Fisioterapeuta Esportivo Luiz Fernando Borges sobre as possíveis consequências de usar um tênis que já perdeu suas propriedades originais e que podem causar inúmeros problemas. Luiz cita “lesões nos joelho, articulações, dores na lombar a até mesmo no pescoço”. Também menciona que o rendimento e a performance do atleta podem não evoluir na prática esportiva e o corredor acaba sendo prejudicado quando o calçado já terminou sua vida útil e o corredor não percebe.  Sua experiência de atendimento com corredores de rua e triatletas, onde sempre teve como inimigos os “tênis usados mais gostosos pra correr”, Luiz, em 2016 fez um auto-teste com alguns pares de tênis para tirar essa duvida com duas voltas num parque. Vejam…

“O tênis mais velho (GT2000 – 2012) ocasionou: dores articulares nos tornozelos, joelhos e quadris e uma contratura no gastrocnêmio medial da perna esquerda (me auto tratei com Dry needling). Dois dias depois e ainda um pouco dolorido retomei o teste com o tênis menos velho (Noosa Tri – 2014): poucas dores musculares e nada articular. Dois dias e duas voltas depois com o tênis zero km, que sequer tinha corrido para atravessar a rua: nada de dores!! Comprovando assim os atendimentos frequentes de atletas com dores causadas por treinar com calçado inapropriado por distâncias e períodos maiores.

Luiz completa, “os campeões são: canelite (Periostite), fascite plantar e dores nas articulações das pernas e coluna , que passam a absorver todo o impacto, que o tênis deixou de fazer”. “Da mesma forma, o tênis que não tem tantos kms rodados, mas já tem 3 anos de uso, também pode causar lesões por perder propriedade do material com o tempo”.

Então já sabe que, correr com tênis velho pode levar a lesões que podem demorar meses para curar. Melhor investir em um bom par de tênis e ótimos treinos!

 

 

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