Corrigindo o movimento básico da corrida

“Meu histórico de lesões sempre foi no lado esquerdo – fascite, glúteo médio, tendinite, canelite e outras “ites”. E como os especialistas médicos entendem cada vez mais de menos de nosso corpo, tratava-se o local e não se corrigia a causa”.

O relato neste post é do corredor Paulo Miranda baseado em seu acompanhamento pelo ortopedista, médico do esporte e acupuntarista Alexandre Seixas que matou a charada, perguntando-o como iniciava a corrida. “percebi que sempre iniciava com a perna direita, mantendo a esquerda no apoio”.
A explicação técnica do especialista é que a perna que esta no ar – denominada perna da oscilação, propulsiona o corredor, a outra perna que fica no chão – denominada perna de apoio, sustenta e empurra para frente o corredor, ou seja, esta perna faz o trabalho mais pesado no movimento de corrida. Bingo! Descobri finalmente que o problema não era uma perna bichada por natureza, mas um erro básico de movimento da corrida.
Mas, as descobertas não ficaram por aí.

Dr. Alexandre explicou-me, que outro erro que resulta em lesões é abrir a passada para tentar correr mais. Desta forma, a perna de oscilação vai para frente o máximo que o corredor conseguir na vontade de fazer mais com menos. E errado! O movimento correto é tocar o pé embaixo do corpo, e não na frente do corpo.
Ainda na opnião do ortopedista, o correto, portanto, é jogar o chão para trás, mas na linha do corpo. O desafio é aumentar a frequência das passadas, jogando o chão para trás, uma perna após a outra.

Esta preferencia de pernas para a sustentação não tem relação com ser destro (embora os destros vão ter sempre mais propensão a impulsionar com a direita), ou canhoto. É uma adaptação natural do corpo adquirida ao longo dos anos, e por diversos motivos como lesões, tipo de atividade entre outros. E na corrida isto surge como consequência, e sempre temos uma perna mais especializada em propulsão, e outra em sustentação.

O que é preciso é corrigir esta distorção e tentar torna-las assimétricas para as duas funções, fazendo com que ambas empurrem o chão com a mesma intensidade e no mesmo ritmo.
Provavelmente, você precisará da ajuda de um educador físico ou de um fisioterapeuta, pois não é fácil corrigir estes movimentos de biomecânica. Aprendi também que não se separa o pé do corpo na corrida, pois além de pisar com a parte de meio para frente do pé você também deve aterrissar com o pé próximo ao seu quadril e com os joelhos levemente flexionados. Quando você aterrisa com a perna esticada e muito a frente do seu corpo o impacto nos seus joelhos é bem maior. Aterrisando com o pé próximo a sua zona de gravidade você vai estar economizando energia.

Os braços também correm. Na corrida a sincronia dos braços com as pernas  também é importante. Posicionando e movimentando eles corretamente fará com que você corra mais fácil e economize energia em cada passada. Aprendi que, uma forma de posicionar os braços corretamente é correr fazendo sinal de positivo com o polegar (like do Face, sabe?). Assim naturalmente os braços vão ficar em uma posição mais próxima do ideal.

Prestando a atenção aos detalhes de postura, primeiro a pisada e a aterrisagem com relação ao quadril, depois os braços, e por último continuar consciente de todos os detalhes enquanto corro e até que tudo isto passe para o sub-consciente, e seja algo tão natural, o meu histórico de lesões foi quase zerado a partir desta mudança que adotei para a corrida.

Vale a dica! E você com que perna se sustenta??????

Paulo Miranda,

corredor,

especialista em Gestão Esportiva e

colaborador do blog

 

 

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