Corra, mas acostume-se com a monotonia do percurso

Este post é para quem vai estrear em alguma das opções da Maratona Internacional de São Paulo, que encerrou suas inscrições no ultimo dia 22 (quarta-feira), e está marcada para o próximo dia 9 de abril.

A exemplo do que houve em 2016, a Maratona Internacional de São Paulo 2017, que é a 23ª da história, oferece corridas em milhas além da principal de 42,195 km. Os corredores podem optar por provas de 15 milhas (24,14 km) ou de 5 milhas (8,04 km); caminhantes têm à disposição percurso de 2 milhas (3,21 km).

As largadas acontecem na região do Ibirapuera. A maratona segue pelas regiões do Itaim, Cidade Jardim, Cidade Universitária, Pinheiros, retornando ao Parque Ibirapuera. A prova de 24 quilômetros termina na USP.

Para quem não sabe, a Maratona Internacional de São Paulo é uma das mais importantes provas do país. Ela vem encantando há mais de duas décadas graças à sua qualidade técnica e infraestrutura profissional. Ela tem atraído milhares de atletas amadores, que garantem a festa do evento, e também corredores de ponta, que brigam com estrangeiros pelo topo do pódio.

Mas….Acostume-se com a monotonia!!! Não existem belas paisagens para se deliciar. Você estará correndo na selva de pedra. Mas a “vibe” dos corredores, essa é surreal.
Na minha opinião a pior parte do trajeto fica dentro da USP, e a Avenida Escola Politécnica costuma ser um momento psicológico difícil, onde o trajeto é muito previsível e sem publico na maioria dos trechos. Essa é a parte da prova onde muita gente perde o foco e caminha.

Participei da 22ª edição da Maratona de São Paulo, na prova de 24Km que  foi disputada sob um forte calor. Mesmo assim, os corredores fizeram bonito em todas as modalidades inclusive quenianos e brasileiros duelando na parte final da prova da maratona. Enquanto isso, entre os corredores amadores, uma outra corrida começava: A batalha pelo “desafio pessoal” de milhares de atletas.

A largada foi as 7:30 h. Nessa hora, o sol já estava raiando, com nenhuma nuvem no céu e a temperatura já estava em torno de 21 graus. Como sempre, o início a prova estava muito tumultuada, devido ao grande número de corredores.

Da largada, até o km 10, o percurso foi fácil, descendo levemente. A partir do km 10, veio o primeiro túnel, muito longo por sinal e uma sensação muito ruim. No túnel a gente desce muito forte. Lá dentro, falta ar e, para sair, a subida é em estilo rampa, ou seja, muito forte.

Deste ponto, seguimos para região do Parque Vila Lobos, onde percorremos do km 10 ao 20. O percurso, foi caracterizado por muitas idas e vindas (braços nas ruas). Nessa etapa da prova, a temperatura já estava em torno de 27º C e, já castigava. Com aproximadamente 21 km entramos na USP, para mim a pior parte e finalizei minha prova de 24Km (15 Milhas).

Para os que iriam completar a maratona, dentro da USP ainda corriam ate o Km 33 em trechos monótonos que leva os corredores a uma fadiga mental muito grande. Ao sair da USP, o percurso leva em sentido ao Ibirapuera, já para finalizar a prova. E é nesse ponto que que alguns relatam o momento em que “a porca torce o rabo  e o ácido lático vem contudo”. Imaginem: Temperatura beirando os 33º C. Uma sensação térmica de forno. Foram 8 km só subidas e, para voltar, muitos e intermináveis túneis. As pernas já estavam fracas, a mente cansada, e é nessa hora  que para a maioria  iniciou uma batalha, consigo mesmo. Aliás, essa é a vitória do maratonista: – o duelo com o seu próprio corpo e sua mente.

Como havia terminado minha prova de 24K, voltei de onibus da organização até o Ibirapuera para assistir a chegada dos maratonistas. Já por volta do km 41, existia um mar de gente, que gritava, torcia, festejava e fazia um caminho para os atletas passarem. Neste ponto, qualquer pessoa que assiste se emociona, vendo os corredores concluindo sua primeira ou não, maratona, chorando. Me lembrei das dificuldades que passa um corredor para chegar até ali, dos momentos difíceis e das madrugadas treinando. A Maratona Internacional de São Paulo não é plana, pelo contrário, é uma prova dura, cruel, difícil, mas que vale a pena, cada quilômetro percorrido.

É uma prova que deixa claro: o sucesso só vem, se tiver esforço garra e determinação. Só posso ovacionar aqueles que já a percorreram, e desejar muito boa sorte àqueles que irão fazê-la. Porque a volta para realidade, também é uma sensação incrível, as pernas duras, doloridas, descendo escada 1 degrau por vez, mas, com uma alegria, satisfação e o coração falando assim: – Quando e onde será a próxima?”

Ótimos treinos!!!