Como conseguir patrocínio na corrida de rua!

A vida de um atleta brasileiro, principalmente o amador, é mais ou menos assim: estudar, trabalhar e treinar quando tiver tempo livre de preferencia, quando for participar de um campeonato muitas vezes tem que sair do seu bolso. Com tantas dificuldades não podemos esperar um desempenho favorável, logo ele desiste do esporte, devido à falta de resultados. Então, vamos falar sobre PATROCÍNIO.

O segmento de corrida de rua, classificado na categoria de esportes participativos, cresce na casa dos 30% ao ano, e em termos de Brasil houve cerca de 800 provas, com gasto médio de R$ 80,00 por pessoa, movimentando R$ 81 milhões de inscrições, e R$ 33 milhões de patrocínios (dados de 2015).

Ainda é um mercado pequeno comparado com o norte americano que fatura R$ 10 bilhões com as corridas de rua – 28 mil corridas, envolvendo 20,5 milhões de participantes, com gasto médio de R$ 210,00, com patrocínios chegando a R$ 1,8 bilhão, conforme dados da Running USA, organização sem fins lucrativos do segmento de corridas de rua.

Segundo Felipe Telles da Norte Marketing Esportivo, o mercado brasileiro irá chegar a 2020, com o dobro dos eventos de 2015 – 1.600, e com 3 milhões de pessoas inscritas em provas e eventos, movimentando cerca de R$ 342 milhões (com mais de R$ 100 milhões em patrocínio).

Estes dados são importantes para mostrar o tamanho do mercado das corridas de rua no Brasil, e a tendência de crescimento do volume de negócios e patrocínios que envolvem o esporte. Nestes valores estão computados os gastos e investimentos diretos, sem contar com toda a cadeia de negócios que se forma ao redor deste esporte, que deve girar entre 500 milhões e 1 bilhão (não há dados agregados deste mercado).

E estamos falando de corridas de rua! Não são dados sobre o esporte como modalidade olímpica. Entretanto, a realidade que se vê na corrida de rua são os atletas buscando patrocínios sem sucesso, ou com patrocínios muito baixos, conseguidos muito mais na base da amizade. O atleta quase pede o patrocínio como esmola!

Isto se deve basicamente a dois motivos: falta de profissionalização na gestão da carreira do atleta de rua, e falta de gestão das assessorias esportivas e dos promotores das corridas de rua. Vou focar este post no primeiro fator – o atleta:

 

  1. O atleta precisa se ver como um produto: o patrocinador é o seu cliente. Quando a empresa é procurada para fazer um investimento no produto atleta, o interesse é o trabalho da marca e a venda de seus produtos. Desta forma o atleta precisa elaborar um portfólio detalhado sobre o seu handcap (desempenho passado), mas o mais importante é sobre o que pretende para o ano – provas, cidades das provas, locais das provas, quantidade de participantes, concorrentes da empresa na cidade da prova, e concorrentes que patrocinam outros atletas, entrevistas que irá conceder antes e depois da prova, perspectiva de pódio nas provas, eventos que pode participar na cidade e no local da prova para divulgar o patrocinador, produtos do patrocinador que serão usados, entre outras ações para divulgação da marca.
  2. Como todo produto o atleta tem um custo: é preciso elaborar um orçamento com detalhes sobre os custos do patrocínio – diretos e indiretos. Custos diretos se relacionam com a remuneração (preferencialmente via nota fiscal), que o atleta pretende (estipular um ganho pretendido por mês, e dividir em cotas para que as empresas patrocinadores comprem cotas), e os custos indiretos – deslocamentos, hospedagem, alimentação, inscrições, pagamentos diversos para reembolso da empresa.
  3. Não se separa o atleta do indivíduo: parte mais sensível do patrocínio. A marca da empresa esta associada com o atleta. As suas opiniões, atitudes e comportamentos, tanto na vida profissional como na pessoal afetam a marca patrocinadora. Nestes tempos de redes sociais isto é um inferno! Portanto, no contrato deve estar a cláusula que assegure a empresa que o atleta irá se conduzir de maneira ética e com disciplina, inclusive na vida pessoal, para não danificar a marca do cliente.
  4. Posicionamento: é preciso definir um posicionamento para o atleta, que pode ser em nível geográfico – provas locais, regionais, nacionais ou internacionais, pode ser demográfico – definição de provas por categorias, entre outros. Este posicionamento é importante, porque define também as empresas que serão procuradas para patronagem.
  5. Período e atuação comercial: as empresas fecham o seu orçamento de marketing usualmente em setembro ou outubro (exceção a aquelas que trabalham com fiscal year, em que isto ocorre no início do ano), portanto esta é a época de atuar comercialmente na venda da sua proposta de patrocínio. E não se esqueça da apresentação pessoal (nada de ir com roupa de corrida, ou calça de moletom), do material impresso para o cliente, cartão de visita, de sua apresentação em power point… Acompanhe o cliente até o final da análise de sua proposta, e mesmo que negativa, deixe as portas abertas para o próximo ano. Lembre-se, que a venda de produtos para empresas depende muito do relacionamento!

Estes são alguns pontos básicos para os atletas da corrida de rua aproveitarem os milhões de patrocínio que as empresas colocam no mercado todo ano no Brasil.

 

 

 

 

Paulo Miranda é corredor, especialista em Marketing Esportivo, e fã de carteirinha do Blog das Corredoras.